quarta-feira, 9 de julho de 2014

Pedagogia do Gado - Sacrifício


Finalizando a trilogia “Pedagogia do Gado”, iremos analisar como somos destinados pela pseudo-educação do Gênio do Mal para sermos e oferecermos sacrifícios a essa entidade maligna.
Como nos artigos anteriores, sugiro fortemente que, antes de continuar, você leia os textos prévios desta série para garantir um melhor entendimento sobre o que estamos falando e a linguagem que estamos utilizando. Abaixo deixo os links para os artigos anteriores:



Primeiramente, gostaria de delimitar o sentido de “sacrifício” que utilizaremos no texto. O dicionário Priberam oferece as seguintes definições:


1sa·cri·fí·ci·o

(latim sacrificium, -ii)

substantivo masculino

1. Oferta solene à divindade, em donativos ou vítimas.

2. A morte de Cristo.

3. A missa.

4. Imolação de vítimas em holocausto.

5. Abandono forçado ou voluntário daquilo que nos é precioso; renúncia.

6. Abnegação; isenção.

Palavras relacionadas: imolação, sacrificar, sacrificador, holocausto, hecatombe, propiciação, vitimário


Para nossa discussão, gostaria de utilizar as descrições apresentadas nos itens 1, 4, 5 e 6, entendendo “sacrifício” como o oferecimento de algo precioso a uma entidade considerada superior com o fim de receber algum benefício em troca. Neste sentido, oferecer algo que consideramos vil não é sacrifício, pois este pressupõe algo ou alguém a quem damos valor. Além disso, o sacrifício não tem nada a ver com, simplesmente, desprezar ou ignorar algo ou alguém, mas abrir mão deste para receber alguma vantagem em troca. Por fim, o sacrifício tem a ver com uma negociação entre duas partes: uma que é vista como inferior, que serve e sacrifica e outra que é considerada superior, que oferece algum benefício e recebe o sacrifício.

Neste ponto, faz-se necessário salientar uma característica marcante da personalidade maléfica do Gênio do Mal que, até este momento, já deve ter ficado óbvia aos que leram os textos anteriores: ele se considera uma divindade, um deus, um ser superior que, como tal, deve ser reverenciado, adorado e presenteado com sacrifícios. Por conta disso, sua pseudo-educação é aplicada de forma ampla e profunda para que estejamos sempre prontos a cultuá-lo através dos mais variados sacrifícios. Mas, com efeito, dentre todas as coisas que podemos sacrificar a ele, nenhuma lhe agrada mais do que o sacrifício humano – seja o nosso próprio ou o de nossos filhos.

Para entender mais profundamente como e por que isso ocorre, utilizemos um pouco do contexto religioso da humanidade através dos séculos...

Durante toda a história humana sempre houve povos que adoraram divindades e/ou espíritos que exigiam sacrifícios – e, muitas vezes, sacrifícios humanos. Entretanto, creio que, para o nosso estudo, a entidade mais icônica deva ser Moloque. Vários povos do Oriente Médio e Próximo incluíam essa divindade com cabeça de touro como um dos seres mais temíveis e poderosos, acreditando que ela seria responsável por protegê-los de inimigos e doenças, bem como proporcionar fertilidade para a terra e para a geração de filhos. Entretanto, o preço que Moloque cobrava para garantir todos esses benefícios era muito caro: o sacrifício de crianças – mais especificamente, de bebês. Relatos históricos afirmam que, nos rituais de adoração a Moloque, os recém-nascidos eram lançados vivos em uma fornalha posicionada no ventre de uma grande estátua de metal na forma da entidade. Assim, os próprios pais sacrificavam seus filhos para agradar à divindade e garantir proteção, saúde, renda e prosperidade.

Para nós, imaginar esse tipo de atividade religiosa pode ser repugnante e irracional. Entretanto, somo “educados” a fazer isso também. Com efeito, estamos sacrificando nossos filhos para termos proteção, saúde, renda, prosperidade e vários outros benefícios. E nossas ações se mostram ainda mais cruéis que as dos tempos antigos, pois não lançamos nossos filhos em uma fornalha para que sua morte seja rápida, mas vamos matando eles aos poucos, de forma lenta e sistemática. Primeiro matamos seu coração, queimando cada pedacinho colorido da alma de nossas criancinhas, até que não haja mais vida. Então, fazemos nossos filhos seguirem um de dois caminhos: ou eles morrem fisicamente através da violência própria (suicídio, overdose, acidente, etc.) ou de terceiros (assassinato, latrocínio, acerto de contas, etc.); ou se tornam zumbis, mortos-vivos, sacrifícios andantes que não possuem outro propósito senão se mover para servir ao Gênio do Mal e sacrificar outras vidas a ele.

NUNCA! EU NUNCA SACRIFICARIA UM FILHO A UM DEMÔNIO COMO ESSE!!!”

Talvez você esteja gritando essa frase em seu coração neste momento, mas, quando você vê os grandes benefícios que Moloque oferece, esse fogo todo diminui até apagar, e sua alma fica tão fria que não parece mais uma ideia tão ruim matar seu filho só um pouquinho para ter mais tempo, mais dinheiro, mais sossego, mais prazer...

Não se engane, Moloque e os demais colaboradores do Gênio do Mal não vão pedir seu filho de graça. Eles sempre lhe oferecem um bom negócio, um grande benefício. Quando você faz uma aliança, um pacto, um acordo, um contrato com eles, você recebe algo em troca, e é essa vantagem que faz você esquecer o valor de seus filhos – ou melhor, você não esquece o valor de seus filhos, mas considera que fazer um bom negócio tem mais valor ainda.

Crueldade? Com certeza. Mas, tenho que reafirmar: você só faz esses pactos porque foi (des)educado a fazer isso desde que nasceu. Os valores e conceitos que a pseudo-educação gravou em seu cérebro e em seu coração fazem você acreditar que realmente vale a pena sacrificar seus filhos para ganhar algo em troca. Você não poderia pensar/sentir diferente, pois nunca foi ensinado diferente. Eu garanto que, a menos que você seja um milagre completo, de alguma forma você tem sacrificado ou, pelo menos, sacrificou no passado a você mesmo e/ou algum filho a Moloque ou um de seus companheiros.

Talvez você esteja sacrificando seu filho a Mamom para aumentar seu dinheiro; ou talvez esteja sacrificando a família toda a Lilith para ter prazer sexual; talvez você fique bêbado para esquecer os problemas e sacrifica seu filho a Baco através de seu comportamento inadequado e violência; ou talvez ofereça suas crianças a Atena, deixando que morram aos poucos enquanto você gasta seu tempo e seus recursos para ter mais inteligência e graus de estudo; ou você pode estar cultuando Hermes e sacrificando seus filhos para melhorar suas vendas e/ou negócios; você também pode estar mentido e enganando seus filhos, entregando seus corações a Loki – que também é cultuado quando você zomba de suas crianças para descontar sua frustração e/ou se divertir com a dor emocional deles; ou, ainda, você pode estar realmente desejando que seus filhos nem estivessem aqui, pensando que viveria melhor se eles não existisse e, assim, os está enregando diretamente a Hades.

Eu poderia continuar por horas, descrevendo como você sacrifica seus filhos a Azazel por sua ira, a Belphegor por sua preguiça ou a Leviatã por sua inveja... Mas creio que já foi o suficiente para que você mesmo faça uma autoanálise e reconheça quais são seus “deuses”, os “benefícios” que está recebendo deles e como está oferecendo seus filhos (e a si mesmo) como sacrifício.

Todos nós precisamos, urgentemente, tomar consciência dessa nefasta realidade. Entretanto, não pense que por saber disso e repudiar essa realidade ela simplesmente deixará de existir. Moloque e seus amigos tem um contrato assinado por você e não sairão tão facilmente de sua vida. Enquanto você estiver usufruindo os benefícios que eles oferecem, eles terão direito de exigir o sacrifício – e exigirão, pode ter certeza. Se você não oferecer voluntariamente, eles virão até você e o tomarão à força. Se você quer impedir isso, o único jeito é renunciar o benefício que você está recebendo, rejeitar toda a proteção e os favores que está recebendo do Gênio do Mal e seus comparsas.

Como eu tenho repetido inúmeras vezes, se queremos salvar as crianças, primeiro precisamos salvar a nós mesmos. Nós, adultos, precisamos ser deseducados e reeducados para, só então, podermos educar nossos filhos para a vida e a liberdade. Se nossas mentes não mudarem e não recuperarmos nossos corações, não importa o quanto nos esforcemos nem quão nobres sejam nossas intenções, não deixaremos de sacrificar nossos filhos. Podemos, até, não sacrificá-los às mesmas entidades para as quais fomos sacrificados, mas os ofereceremos em holocausto a outras sem perceber.

Não seja mais um sacerdote do Gênio do Mal, nem de Moloque e seus companheiros. Não faça mais sacrifícios humanos – seja sacrificando você mesmo ou outros. Ao contrário, sacrifique os benefícios que você está recebendo dessas entidades etéreas e malignas para viver e deixar viver.

Já passou da hora de deixarmos os altares de sacrifícios aos demônios e iniciarmos nossa grande aventura, a jornada de nossas vidas: resgatar nossos próprios corações e, então, partir para resgatar e cultivar os de nossas famílias, de nossos filhos...



1 "sacrifício", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/sacrif%C3%ADcio [consultado em 09-07-2014].
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