segunda-feira, 11 de julho de 2011

Ensino Domiciliar - Papel da Mãe ou do Pai?

Uma discussão que considero bastante interessante e pertinente diz respeito aos papéis exercidos pelos pais na educação de uma criança. Inúmeros estudos já demonstraram de forma clara e precisa que a presença de ambos os pais e uma delineação adequada de seus papéis, sem sombra de dúvida, são determinantes para a constituição de um sujeito equilibrado, bem formado e apto para o convívio social.
Agora, o que gostaria de trabalhar é, justamente, como esses papéis referentes aos pais se traduzem na prática do ensino domiciliar. Afinal, quem deve ensinar as crianças: o pai ou a mãe? Quem deve determinar os conteúdos, propôr os exercícios, transmitir os conhecimentos, aplicar as avaliações, etc?
Para algumas famílias, esta pode parecer uma questão simples, para outras, nem tanto...
Definitivamente, ambos os pais possuem papel fundamental na formação de uma criança, e digo isso me referindo a todos os aspectos dessa formação. Desde o desenvolvimento da comunicação, passando pelo sinestésico-motor, emocional, intelectual e chegando ao sócio-afetivo. Pai e mãe são parceiros no ensino e direcionamento em todas essas esferas, e precisam compreender isso. Agora, mesmo sendo parceiros, as funções de cada um não são as mesmas.
Sem dar margem para especulações sobre minha posição ideológica sobre homens e mulheres, neste ponto já deixo claro que não considero o masculino e o feminino gêneros iguais. Isso não quer dizer, entretanto, que um é superior ou melhor que o outro (de forma alguma!). Mas, para mim, é claro como o dia que homens e mulheres não são, nunca foram e nunca serão iguais. E não pauto esse pensamento em mera ideia pessoal, mas na própria ciência – afinal, é fato inquestionável que homens e mulheres possuem diferenças cromossômicas, anatômicas, hormonais, neurais e psíquicas.
Volto a dizer: essa diferença não quer dizer que um é melhor ou pior que o outro, mas que há diferença entre os gêneros. O que devemos considerar é que homem e mulher possuem o mesmo valor... Neste sentido, sim, possuem um valor igual, são importantes de igual modo e devem possuir igualdade nas oportunidades desta vida. Mas, afirmar que homens e mulheres são iguais é quase tão absurdo quanto afirmar que madeira e concreto são a mesma coisa...
De fato, essa diferença entre os gêneros é algo maravilhoso! Afinal, o que causa a atração entre homem e mulher é, justamente, a possibilidade de um se ver completado pelo outro. Somos atraídos por aquilo que nos falta, que não temos, que nos completa, e não por algo que já somos ou temos em nós mesmos. Isso sim é fantástico!
Mas, voltando à educação domiciliar...
Justamente por haver essas várias diferenças entre homens e mulheres, a presença de ambos os pais é fundamental para a formação da criança. Com efeito, por mais dedicado e presente que seja um pai, este nunca poderá suprir aquilo que é oferecido pela presença materna. Da mesma forma, é impossível para uma mãe suprir totalmente o aprendizado que a influência masculina proporciona para a criança. De um lado: firmeza, segurança, suprimento, racionalização, intelecto; do outro: flexibilidade, auxílio, mantimento, sensibilidade e emoção. Esses elementos são mais fortes em um dos pais e, por isso, ambos os progenitores são importantes para que a criança tenha acesso a todas essas características de forma igual nos momentos adequados.
Com isso, não pretendo menosprezar os pais e mães que têm sido “guerreiros” ao instruir seus filhos sem a presença de um cônjuge... Há pais solteiros e mães solteiras que são verdadeiros heróis, realizando milagres para educar seus filhos de uma forma adequada. Entretanto, tenho certeza que essas mesmas pessoas poderão aferir que, por mais que se dediquem e se sacrifiquem, sempre há algo que falta...
Por que isso acontece? Porque uma só pessoa não pode agir de acordo com todos os comportamentos necessários para que uma criança se desenvolva de forma saudável.
Permitam-me um exemplo: se há somente um dos pais, não haverá relações de autoridade... O pai ou a mãe não terá um cônjuge para discutir as decisões que precisam ser tomadas e, assim, a criança não terá a oportunidade de crescer através da observação desse tipo de relação. A criança nunca verá os pais dividindo tarefas, trabalhando em equipe, discutindo e se reconciliando, etc... Enfim, há uma infinidade de conhecimentos que a criança só poderá adquirir se houver a presença de ambos os pais.
Além disso, a própria definição de masculino e feminino fica comprometida quando da ausência de um dos pais – e isso causa muito mais problemas do que se pode imaginar!
Diante disso, creio que chegamos a uma primeira conclusão bastante interessante: para a Educação Domiciliar – ou melhor, para o próprio desenvolvimento de qualquer criança –, o ideal é que ambos os pais estejam presentes.
Isso quer dizer que pai e mãe precisam estar o dia todo em casa, acompanhando a criança? De forma alguma! Não é disso que estou falando... Mas, me refiro à importância dos pais participarem efetivamente da instrução das crianças sempre que possível, não se tornando alheios ao que está acontecendo com seus filhos. Uma conversa, uma brincadeira, algumas perguntas, um passeio... Tudo isso é “estar presente”, tudo isso é participar da educação de uma criança.
Agora, retomando as questões que levantei no início deste artigo, é incontestável que algum dos pais precisará, necessariamente, assumir a missão de instruir mais diretamente os filhos. E, na maioria das vezes, essa função tem caído sobre os ombros maternos. Por quê? Porque, em geral, as mães passam mais tempo cuidando da casa e dos filhos, enquanto o pai sai para trabalhar. Sei que esse não é o caso de 100% das famílias que ensinam em casa, mas, a maioria ainda apresenta essa organização familiar.
Há algum problema com essa configuração? De forma alguma! Ao contrário: creio que as experiências práticas, até o momento, têm demonstrado ser bastante positivo que a mãe assuma o cargo de “professora”, instruindo a criança na maior parte do tempo. Entretanto, nada impede que haja alguma organização diferente... Se o pai puder assumir integralmente o ensino dos filhos, creio que será tão positivo quanto. E, se ainda for possível que os pais dividam os períodos de ensino de forma mais ou menos equilibrada, isso poderá ser melhor ainda.
Qualquer um desses esquemas de divisão de responsabilidades é válido, desde que haja plena concordância dos pais e constância na rotina de estudos.
Para finalizar, gostaria de apontar um cuidado necessário para qualquer uma das configurações que descrevi... E esse cuidado se refere à importância de evitar o afastamento de um dos pais... Como disse anteriormente, a presença de ambos os pais é necessária para a formação da criança. Mas, a existência de pai e mãe vivendo sobre o mesmo teto não é sinônimo de “presença dos pais”... Infelizmente, em muitos casos, os pais trabalham tanto que, quando chegam em casa, os filhos já foram dormir... Da mesma forma, saem tão cedo que não veem as crianças. Já no final de semana, estão tão cansados e estressados, que só querem saber de descanso, um churrasquinho e futebol... Em outros casos, as mães estão o dia todo em casa, mas querem deixar tudo tão limpo e organizado, que deixam os filhos à mercê da televisão, videogame, brinquedos, etc... Em qualquer um desses casos, os pais estão ali, mas não estão presentes de fato!
No caso da educação domiciliar, se um dos pais ficar responsável por instruir os filhos, o outro precisa tomar muito cuidado para não ser um desses pais-fantasmas, que “está ali”, mas não participa efetivamente da educação das crianças. Um dos maiores perigos na Educação Domiciliar é, justamente, um dos pais se tornar ausente por considerar que seu cônjuge é que está responsável pela instrução das crianças!
A mãe pode ser responsável pela maior parte do ensino, mas isso não exime o pai de seu papel enquanto figura de instrução – e vice-versa! Com efeito, a Educação Domiciliar é um trabalho para pai e mãe, e, de forma alguma, pode cair somente sobre um destes! As funções dentro da instrução dos filhos podem ser diferentes para pai e mãe, mas a responsabilidade de ambos é a mesma!!!
Se você trabalha o dia todo, quando chegar em casa, pelo menos, coloque seus filhos na cama... Conte uma história (mesmo curta), ou apenas converse com eles, perguntando como foi o dia, o que aprenderam, etc. Se for possível, assuma, pelo menos, um tipo de conteúdo para passar para eles durante uma ou duas horas do final de semana. Pense em projetos que possam fazer juntos nos feriados ou dias de folga... Enfim, participe da educação de seus filhos, e não deixe tudo para seu cônjuge!
Mas eu só tenho 15 minutos com meu filho por dia!”. Então, faça desses os melhores 15 minutos do dia do teu filho! Com certeza, já será o suficiente para não ser um pai-fantasma.
Por mais que seja difícil, por mais que você esteja cansado e/ou estressado, se esforce... Afinal, é o desenvolvimento pleno e saudável do teu filho que está em jogo!
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