segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Benefícios da Ed.Domiciliar (Parte V)

Avaliação personalizada
Em primeiro lugar, cabe ressaltar que a avaliação é um dos elementos mais controversos do processo de ensino-aprendizagem... De longe, o momento avaliativo é o que gera mais medo e ansiedade para educandos e educadores. Isso ocorre porque, em geral, a avaliação é vista como o momento no qual o aluno é “medido”, quando se constata se ele absorveu ou não as informações transmitidas. Entretanto, essa é uma visão cruel e incorreta do que, verdadeiramente, deveria se compreender por avaliação...
A avaliação, na verdade, não é (ou, não deveria ser) um momento ou elemento em si, mas sim um processo. Além disso, esse processo não deveria ter como objetivo avaliar o aluno quanto aos conhecimentos adquiridos, mas deve almejar a análise do processo quanto aos resultados efetivamente obtidoscontrastando-os com os objetivos educacionais previamente estabelecidos.
Note que há um mundo de diferenças entre avaliar o processo e avaliar o sujeito do processo.
Ao se avaliar o processo de ensino-aprendizagem, o educador está observando todas as atividades e vivências realizadas e as comparando com os resultados obtidos na vida do educando. Nesse processo não há de se falar em resultado exclusivamente positivo ou negativo, pois sempre haverá progressos e deficiências. O objetivo de se avaliar é, justamente, saber o que está dando certo (para que se continue) e o que está sendo falho (para que seja repensado e substituído por elementos mais propícios).
Mas, é claro que nesse processo dever-se-á analisar o aprendizado do educando como elemento explicitador dos resultados do processo de ensino-aprendizagem – aí cabem os trabalhos, provas e produtos intelectuais diversos. Entretanto, essa é só uma pequena fração do processo avaliativo.
Agora, em se tratando da Educação Domiciliar, em termos avaliativos, há vantagem sobre outras modalidades por conta da possibilidade de se realizar uma avaliação mais direcionada, produtiva e global com relação ao progresso da criança.
Deixe-me explicar melhor...
Em uma modalidade de educação generalista, na qual não se pode olhar para o sujeito isoladamente, faz-se necessário um padrão de avaliação pautado no mínimo exigido para todos os educandos. Esse processo avaliativo, obrigatoriamente, precisa ter como base a expedição de notificações. Assim, surgem as notas e os conceitos. As notas e os conceitos são formas de localizar cada aluno dentro do padrão mínimo de aprendizado estabelecido como regular. Como exemplo, podemos dizer que o “7.0” (ou “70.0”, dependendo da localidade) significa que a criança alcançou 70% do que era esperado dela.
De cara podemos perceber que há um sério problema nesse sistema: a padronização. Como podemos esperar/exigir que todas as crianças, independentemente de suas peculiaridades, alcancem o mesmo padrão mínimo de conhecimento através dos mesmos métodos e no mesmo período de tempo? Chega a ser absurdo...
Como já vimos, cada sujeito é especial, com qualidades, defeitos, potencialidades e dificuldades específicas, diferentes dos demais. É injusto ignorar essas peculiaridades, exigindo que cada criança se encaixe em um molde irreal determinado por algum sistema regulador. Avaliar dessa forma é incoerente, além de ser ineficiente e de natureza segregadora.
Em um processo avaliativo justo e eficaz, cada criança é comparada consigo mesma, e não com outras crianças ou com um padrão mínimo abstrato estabelecido por alguém.
Ao comparar o aluno com ele mesmo, tem-se uma visão global e mais específica sobre onde surgiram as dificuldades. Assim, não é preciso meramente “reprovar” a criança, mas pode-se modificar o que está sendo falho e trabalhar mais intensamente com o sujeito na área em está com problemas.
Cabe salientar, ainda, que esse processo é ideal também para crianças com necessidades especiais, uma vez que elas não precisam tentar “competir” com outras pessoas (ditas) normais para alcançar o mesmo padrão... Isso não seria justo! A criança deve ser avaliada de acordo com seu ponto de partida e seu ponto de chegada, ou seja, seu estado no início do processo educativo e o resultado final. Isso permite uma visualização do progresso real da criança.
Esse modelo de avaliação é perfeitamente compatível com a Educação Domiciliar, umas vez que os pais-mestres podem analisar onde seus filhos-alunos estão com problemas e trabalhar em prol de uma solução. Além do mais, uma vez que a grade curricular no homeschooling é extremamente flexível, nada impede que os educadores invistam mais tempo com os conteúdos em que há deficiência em detrimento daqueles que já foram bem compreendidos e assimilados.
Resumindo, vemos que a avaliação qualitativa baseada na comparação do aluno consigo mesmo é muito superior à avaliação notificada, e a Educação Domiciliar dá um suporte mais do que adequado para a implantação efetiva desse tipo de processo avaliativo.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...